Brasil registra maior crescimento de mortes no trânsito em duas décadas, com avanço expressivo entre motociclistas e regiões Norte e Nordeste.
O OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária divulga uma análise dos dados atualizados do DataSUS referentes ao ano de 2024, revelando um cenário alarmante para a segurança viária no país.
O trabalho ‘Dados Consolidados de Óbitos no Trânsito Brasileiro – 2024’ foi realizado pelo membro do Conselho Deliberativo do ONSV e professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Jorge Tiago Bastos, em conjunto com a pesquisadora da universidade e do Observatório, Ana Beatriz da Silva Marques, que atuaram na organização, avaliação e interpretação dos dados que compõem este panorama inicial.
O Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024, um aumento de 2.269 vidas perdidas em relação a 2023, quando foram contabilizadas 34.881 mortes. Essa elevação representa o maior crescimento anual em 22 anos, desde 2002, quando a alta foi de 7,3%. Em 2024, o acréscimo foi de 6,5%, marcando o maior patamar de fatalidades desde 2016.
A análise aponta que o aumento não apenas rompe a tendência de estabilização observada em alguns anos anteriores, como também evidencia fragilidades estruturais e comportamentais no trânsito brasileiro.
Os dados sugerem a necessidade de fortalecer políticas públicas, fiscalização, educação para o trânsito e investimentos em infraestrutura segura.
Motociclistas concentram o maior impacto
O maior avanço no número de mortes recai sobre os ocupantes de motocicleta, que somaram 1.982 mortes a mais em 2024. O total passou de 13.477 em 2023 para 15.459 em 2024, evidenciando um crescimento de 14,7%.
Entre as vítimas fatais, chama atenção o dado de que motociclistas do sexo masculino representam 37,1% de todas as mortes no trânsito no ano, totalizando 13.497 óbitos. O aumento também foi significativo entre ocupantes de caminhão (+30,2%) e ônibus (+28,3%), refletindo desafios adicionais no transporte de cargas e passageiros.
Crescimento atinge quase todo o país
A alta no número de mortes ocorreu na maior parte das Unidades da Federação, com exceção de Rio de Janeiro, que apresentou redução expressiva de 35,0%, Roraima (-9,7%) e Distrito Federal, que manteve estabilidade.
Os maiores aumentos ocorreram em:
Acre, com elevação de 52,7%;
Amazonas, com 28,5%;
Alagoas, com 22,8%;
Sergipe, com 20,4%.
Na análise regional, a Região Norte lidera o avanço, com crescimento de 15,7%, seguida por:
Nordeste (+11,6%);
Sul (+6,0%);
Centro-Oeste (+5,9%).
A Região Sudeste foi a única a apresentar leve redução, com 0,8%.
Aumento preocupante entre crianças e idosos
A mortalidade avançou em praticamente todas as faixas etárias, exceto no grupo entre 10 e 14 anos, que apresentou queda de 2,9%.
Os aumentos mais expressivos ocorreram entre os grupos mais vulneráveis:
+17,0% entre crianças menores de 1 ano;
+11,5% entre crianças de 5 a 9 anos;
+10,5% na faixa de 0 a 9 anos;
+8,6% entre idosos (60+).
Confira o dashboard na íntegra
Fonte: Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV)