A cobertura do prejuízo pode variar de acordo com sua apólice, mas seguradoras podem se recusar a fornecer a indenização
Neste início de ano, os alertas da Defesa Civil sobre chuvas severas têm sido comuns nos celulares dos cidadãos. Nesta terça-feira (08), por exemplo, o aviso veio momentos antes de São Paulo registrar fortes tempestades, resultando em alagamentos, quedas de árvores e carros submersos em enchentes. E se você por acaso teve seu veículo afetado por esses alagamentos e tem dúvidas sobre seguro, Autoesporte separou tudo que precisa saber sobre a cobertura e o que se pode fazer nesse tipo de caso.
O fato de ter um seguro não significa que você estará coberto nesses tipos de caso. Antes de tudo, é necessário saber se o tipo do seguro contratado para o seu carro tem cobertura contra alagamentos. Isso pode ser checado na apólice, o documento em que se registram todas as informações sobre o seguro, corretor e segurado. Normalmente, os dados em relação a cobertura ficam na porção inferior do documento físico, junto com as franquias.
A boa notícia é que todos os seguros com cobertura compreensiva (mais ampla) incluem proteção contra fenômenos naturais. Também incluem eventos como ventos fortes, enchentes, chuva de granizo, queda de objetos no carro, deslizamento de terra, incêndio e raios. Para acionar a seguradora em caso de danos naturais, basta acessar o site da mesma ou entrar em contato pelos canais de atendimento.
Porém, atenção! Como forma de baratear a apólice, algumas empresas oferecem seguros personalizados. Assim, na medida em que o motorista adiciona coberturas, o preço do prêmio aumenta. Algumas apólices cobrem apenas roubos, furtos, danos a terceiros e despesas médicas e hospitalares, por exemplo. Ou seja, o plano mais básico normalmente não cobre desastres naturais.
Essa questão reforça a importância do cliente avaliar os riscos na hora de “montar” o seguro, vendo até se a região onde mora está mais sujeita a alagamentos ou eventos desse tipo.
Quando o seguro não cobre enchentes?
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Tudo depende da situação em como o carro foi danificado em um alagamento. Quando o cliente aciona a apólice, as empresas fazem uma pesquisa para determinar se o segurado se submeteu ao risco ou se o desastre natural atingiu o carro do cliente. Por isso, se o veículo estiver em uma região segura, mas o motorista se aventurar a enfrentar a enchente, a seguradora terá validade jurídica para negar a indenização.
As investigações acontecem por meio de vídeos de câmeras de segurança da região e até em conversas com moradores do local. Outro caso em que não há cobertura é quando os danos são causados por água salgada, ou seja, aqueles que são ocasionados pelo aumento do nível do mar ou por ondas que atingem o veículo estacionado na areia ou próximo da maré.
Indenização total ou parcial?
O custo da indenização depende do tamanho do prejuízo do veículo e do valor que o seguro cobre. Se a avaria do carro for muito grande, normalmente a seguradora ressarce o motorista com a indenização integral. Ou seja, o preço da Fipe do veículo.
Na cobertura média da Youse, que protege contra desastres naturais, “o cliente recebe indenização integral do seguro se o prejuízo do carro ultrapassar 75% do valor definido pela Tabela Fipe (quando os custos ultrapassam este valor, significa que o carro deu perda total), explica Arthur Carvalho, Diretor de Sinistros e Operações da seguradora.
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Em caso de avarias menores no veículo, é feito uma divisão no valor do prejuízo. Desse modo, o motorista paga a franquia e o seguro arca com o resto do valor do reparo. A franquia é um valor máximo que o segurado deverá pagar por sinistro. Essa quantia é estipulada na hora em que contrata o seguro e consta na apólice. O valor da franquia pode variar conforme o evento. Por exemplo: é de até R$ 3 mil em caso de enchente e R$ 2 mil em caso de colisão.
Dependendo da seguradora e da apólice contratada, a empresa pode oferecer a limpeza do veículo cujo valor de recuperação seja menor que o da franquia.
Depois de informar a seguradora responsável sobre o sinistro, entregar todos os documentos solicitados e ambas as partes estarem de acordo com o ressarcimento, o segurado recebe o valor em até 30 dias corridos.
Meu carro parou em uma enchente, o que fazer?
Se o carro ficar preso em uma alagamento, vá para um lugar seguro e proteja-se e, se for preciso, acione o Corpo de Bombeiros no número 193. Caso a água tenha danificado o sistema a ponto que o veículo tenha parado, o primeiro passo é acionar a seguradora e contar tudo o que aconteceu. Você irá receber um número do sinistro aberto para acompanhar o caso e um guincho (que normalmente está incluso no seguro, mas vale confirmar na apólice) irá buscar você e seu carro.
Em seguida, a seguradora deverá pedir por documentos do motorista e do veículo para prosseguir com a indenização.
Fonte: Auto Esporte